Ogum – Ogunhe meu pai!

Ogum é o Orixá da Lei seu campo de atuação é a linha divisória entre razão e a emoção. É o regente das milicias celestes, guardiões dos procedimentos dos seres em todos os sentidos.

Ogum é sinônimo de lei e ordem e seu campo de atuação é a ordenação dos processo e dos procedimentos.

O orixá da Lei é eólico e, ao irradiar-se, cria a linha pura do ar elemental, já com dois pólos magnéticos ocupados por orixás diferenciados em todos os aspectos. O pólo magnético é ocupado por Ogum e no negativo está Iansã.

Esta linha eólica pura dá sustentação a milhões de seres elementais do ar até que eles estejam aptos a entrar em contato com o seu segundo elemento. Uns têm como segundo elemento o fogo, outros têm a água etc. Portanto, na linha pura do “ar elemental” só temos Ogum e Iansã como regentes.

Ogum  orixá masculino da cultura Iorubá, é o filho mais velho de Oduduá com Yemanjá. Sendo o mais enérgico, ele tornou-se Rei de Ifé, quando Oduduá (fundador de Ifé) ficou cego.
Ogum era um guerreiro terrível. Brigou com reinos vizinhos a Ifé, aumentando cada vez mais o seu reinado. Destruiu a cidade de Ará e de Irê. Em Irê, ele guerreou, matando o rei e instalou seu próprio filho no trono e passou a usar o título de ONIRÊ (Rei de Irê).

Ogum é o  Deus do Ferro, dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam esse metal: agricultores, caçadores, açougueiros, barbeiros, marceneiros, carpinteiros, escultores, mecânicos, etc…

Em Irê, diz-se que Ogum é composto de 7 (sete) partes: Ogum Mejéjé Loode/Irê (Ogum são sete não só Irê) frase que se refere as sete aldeias, hoje desaparecidas, que existiram em volta de Irê. Mas sobre as 7 partes de Ogum, existem muitas lendas, entre tantas, duas são as mais conhecidas e o relaciona com Oyá.

A primeira, conta que Ogum preparou-se para ir à guerra; Oyá sua esposa, também guerreira, quis acompanhá-lo. Ogum proibiu-a de seguí-lo. Oyá muito astuta e não querendo por nada deixar de guerrear ao lado do marido, vestiu uma das suas roupas, prendeu os cabelos por baixo de um capacete e seguiu-o.
A luta foi muito grande, Ogum estava quase a perdê-la, quando Oyá, levantou sua espada e lutou por ele.

Vencida a batalha por Oyá, Ogum quis saber quem era o garboso guerreiro. Oyá muito orgulhosa, tirou o capacete e soltou os cabelos, Ogum reconhecendo a sua esposa, mais orgulhoso do que ela, não admitindo ter sido salvo por uma mulher, levantou sua espada para matá-la. Oyá ao mesmo tempo também levantou a sua para defender-se. As espadas tocaram-se no ar. Travaram então uma grande luta onde Ogum cortou Oyá em nove e Oyá cortou Ogum em sete.

Outra lenda sobre os 7 Oguns, também relacionada a Oyá, conta que ela era a companheira de Ogum. Oyá ajudava o marido no trabalho de forjar o ferro. Todos os dias Oyá carregava seus instrumentos e ia para a oficina, onde manejava o fole para ativar o fogo da forja. Ora ela manejava o fole, ora ela soprava um vento, para ativar o fogo. Ogum ofereceu a Oyá, pela ajuda que essa lhe dava, uma vara de ferro, semelhante a uma que ele possuiu e que tinha o poder de dividir os homens em sete partes e as mulheres em nove, se por ela fossem tocados no decorrer de uma briga.

Xangô gostava de sentar-se próximo, a fim de apreciar Ogum bater o ferro, e de vez em quando lançava olhares a Oyá, e esta também olhava Xangô, que era muito elegante. Os cabelos de Xangô eram trançados com búzios como de uma mulher, usava brincos, colares e pulseiras. Sua beleza e seu poder fascinavam Oyá que nada disso via em Ogum. Um dia Oyá fugiu com Xangô. Ogum perseguiu-os. Encontrou-os, brandiu sua vara mágica. Oyá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. Assim Ogum foi dividido em sete e Oyá em nove, recebendo ele o nome de Ogum Mejéje (sete) e ela Yámessan (nove).

O número sete é pois associado a Ogum. O sete está presente em todos os lugares que lhe é consagrado, por instrumentos de ferro em numero de sete, pendurados numa haste horizontal, também de ferro: lança, espada, enxada, torquês, facão, ponta de flecha e enxó, que são os símbolos de suas atividades.

Outra lenda conta que Ogum, depois de muitos anos, voltou a cidade de Irê. No dia de sua chegada, os habitantes da cidade celebravam uma cerimônia em que ninguém podia falar sob nenhum pretexto. Ele sentia sede, viu vários potes de vinho de palma. Aproximou-se deles e verificou que estavam vazios. Ninguém o saudou nem respondia às suas perguntas. Não foi reconhecido por ninguém. Como sua paciência era quase nenhuma, foi dominado por uma grande fúria. Começou a quebrar, com sua espada, os potes e arrrancar as cabeças das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, reconhecendo seu pai. Por meio de gestos, mandou que servissem a ele vinho e a sua comida predileta, como cães, feijão regado com azeite de dendê.

Enquanto Ogum saciava sua sede e matava sua fome, os habitantes de Irê, já libertos do silêncio, pois a cerimônia que celebravam terminara, cantaram louvores a Ogum, onde o chamavam de Ogum jé oja (Ogum come cachorro) o que lhe valeu o nome de Ogunjá. Ogum lamentando seus atos violentos, declarou que já havia vivido o bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção a terra e desapareceu pela terra a dentro, com um barulho assustador. Outros contam que ele lançou sua espada no ar e subiu para Orum, com ela e foi habitar a lua. Antes porém de desaparecer, Ogum pronunciou algumas palavras. Se alguém pronunciar essas palavras durante uma batalha Ogum vem e guerreia por essa pessoa. Mas essas palavras não podem ser usadas em outras circunstâncias, se Ogum não encontrar inimigos diante de si, é sobre o imprudente que sua ira se lançará.

Ogum é sem dúvida alguma, um dos Deuses Iorubanos mais conhecidos, mais cultuado e temido. Às vezes, até mesmo, mais temido do que Exú, sobre o qual, tem total domínio. Como é o filho de Oduduá e Yemanjá, mais velho e considerado o mais antigo Orixá Iorubano, e em virtude de sua ligação com metais, sem sua permissão e sua proteção, nenhuma atividade seria proveitosa; é o dono do obé (faca). Entretanto outros Deuses mais antigos que Ogum, originários de países vizinhos, mesmo assimilados pelos Iorubanos, não aceitavam de bom grado a primazia assumida e concedida a Ogum, por Oduduá. Essas diferenças, até hoje não foram resolvidas e deu origem a conflitos entre Nanã e Ogum, isto porque Nanã, o mais antigo Orixá da Nação de Daomé (uma espécie de Orixalá dos Iorubanos) não aceita o comando de Ogum. Por isso, nenhum animal oferecido a Nanã, podia ser cortado com o obé de metal e sim com o de madeira.

Ogum foi o segundo filho de Iemanjá e era muito ligado ao irmão mais velho, Exu. Os dois eram muito aventureiros e brincalhões, estavam sempre fazendo estrepolias juntos. Quando Exu foi expulso de casa pelos pais, Ogum ficou muito zangado e resolveu acompanhar o irmão. Foi atrás dele e por muito tempo os dois correram mundo juntos. Exu, o mais esperto, resolvia para onde iriam; e Ogum, o mais forte e guerreiro, ia vencendo todas as dificuldades do caminho. É por isso que Ogum sempre surge no culto logo depois de Exu, pois honrar seu irmão preferido é a melhor forma de agradá-lo; e enquanto Exu é o dono das encruzilhadas, Ogum governa a reta dos caminhos.

Depois que Exu foi expulso de casa pelos pais, ficou decidido que Ogum, o segundo filho, seria o sucessor do pai no governo. Entretanto, Ogum não gostava desse tipo de atividade. Seu prazer estava nas aventuras. Quando substituiu o pai durante uma viagem deste, Ogum deixou de lado as funções de governante, dedicando-se a passeios e confusões com os amigos. Estava sempre se metendo com as namoradas alheias e arrumando brigas. Para mantê-lo sossegado, então, o pai lhe deu o comando do exército e a missão de responder às agressões ao reino e de conquistar novos territórios. Nessas atividades, ele foi muito bem sucedido.

 

INSÍGNIAS REAIS E OFICIALATO

O dendê ou dendezeiro, é uma palmeira africana aclimatada no Brasil. Ogun é representado pelas franjas de folhas desfiadas dessa palmeira: o mariwó. Além de insígnia do orixá, o mariwó é também proteção e defesa: dependurado sobre portas e janelas ou à entrada dos caminhos, afasta bruxedos e influências maléficas.
A principal insígnia de Ogun é a espada, que ele empunha com ar marcial, quando manifestado, dança no candomblé. Ao deparar, em sua dança, com outro orixá também empunhando uma espada, Ogun terça armas com ele e as lâminas se entrechocam, ritmadas, como na pirrica dos Gregos.

Na Bahia, Ogun é sincretizado com Santo Antônio, capitão do exército brasileiro, com direito a soldo. Sua espada e seu uniforme de gala como capitão, doados por uma beata, foram conservados pelos franciscanos da Bahia, segundo Verger, que fotografou, na igreja, o sabre e o fardamento do santo.

Santo Antônio, que sentou praça no Forte da Barra em fins do século XVI, como simples soldado, foi promovido a capitão em 1705 e a major durante a última guerra mundial. Debret atribuiu ao santo casamenteiro o posto mais elevado da hierarquia militar, como “marechal dos exércitos do rei e comandante das Ordens de Cristo, na Bahia.”

OGUN NA UMBANDA

No Rio de Janeiro a festa de Ogun é a 23 de abril, dia de São Jorge, com quem está identificado.

As comemorações têm início às 5 da manha, com a alvorada a cargo das fanfarras da cavalaria da Polícia Militar. Mais tarde, a banda de música da corporação executa marchas e dobrados festivos e, solenes, desfilam seus cavalarianos.

Centenas de fiéis visitam a igreja onde o santo é orago, na Praça da República, e beijam uma fita presa à imagem de São Jorge montado no cavalo branco, com o elmo emplumado, um escudo e um estandarte.

E à noite, em todos os terreiros, os atabaques vão bater até de madrugada.

Na umbanda a linha de Ogun é desdobrada nas legiões de Ogun Beira-Mar, Ogun Iara, Ogun Megê, Ogun Naruê, Ogun Malei e Ogun Nagô.

Santo guerreiro, suas armas mágicas são a espada-de-são-jorge (Sansevieria Zeylanica Willd.) e a lança-de-ogun (Sansevieria cylindrica L.) liliáceas da África Equatorial, aclimatadas no Brasil.

O nome espada-de-são-jorge é devido à forma da folha carnosa, que lembra uma larga e longa lâmina de arma branca, com dois gumes, o ápice acuminado.

Costuma ser plantada em vasos, jardineiras ou canteiros, em residências ou à entrada de casas comerciais, como espada capaz de defender dos malefícios.

Nos terreiros umbandistas, a espada-de-são-jorge é brandida principalmente pelo pai-de-santo, como veículo de passes ou para fustigar os maus espíritos, afastando-os.

É uma das plantas usadas em banhos lustrais ou de proteção.

Serve para sinais cabalísticos, traçados no ar, durante consultas ou cerimônias. Tivemos oportunidade de ver orixás utilizá-la na sagração dos noviços, como acontecia com os reis e cavaleiros medievais.

Na lança-de-ogun, conforme o próprio nome indica, a folha carnosa é cilíndrica e pontiaguda, como uma lança. Embora utilizada em menor escala, suas atribuições rituais e poderes mágicos têm semelhança com os de espada-de-são-jorge.

Nos terreiros de umbanda Ogun é reverenciado como “santo forte” e “vencedor de demanda.

Sua cor é o vermelho rútilo.

Seus pontos riscados mostram lanças, espadas, flâmulas, granadas e outras representações bélicas.

Seus pontos cantados, também marciais, têm até reminiscências da guerra do Paraguai, pois “Ogun já jurou bandeira/na porta de Humaitá”.

Guerreiro, “ele é soldado de cavalaria, é capitão, é major do dia”, logo promovido a “Ogun, general da umbanda”.

Sua efígie é a do santo católico enfrentando o dragão com a lança, o cavalo em curveta.

Essa efígie dos gongás umbandistas é vista por toda parte, em estampas ou imagens, adornada de flores e iluminada por uma luzinha vermelha, em residências, casas comerciais, botequins, fazendo de São Jorge-Ogun o santo mais popular e de maior devoção dos cariocas e dos fluminenses, seus vizinhos.

Em São Paulo, no Museu de Arte Sacra, à Av. Tiradentes, existe uma imagem de São Jorge do séc. XVIII, exposta montada num cavalete.

A imagem, de madeira, tamanho natural, é articulada e, nos tempos coloniais, saía à ruas nas procissões, montada num cavalo de verdade, puxado pela rédea.

Um dia o cavalo se assustou e a imagem caiu sobre um popular, ferindo-o, o que levou a vítima a juízo, em processo contra o santo.

OGUM – MARTE

Deus da guerra, é um outro orixá que luta pela sua liberdade e independência. Tem por atributos o metal, as armas e as ferramentas. Não para, está sempre procurando o que fazer ou alguém para incomodar. É a criança dos orixás, o eterno filho. Egoísta, instável e emocional. Por tudo isso assemelha-se a Áries ou Marte, seu regente.

Ogum tem relação com o Fogo ou com Planetas e Casas desse elemento — Marte e Júpiter e Casas I, V e IX — Casas de Áries I; V, de Leão e 9, de Sagitário, regidas respectivamente por Marte, Sol e Júpiter.

Os filhos e filhas de Ogum são arrojados e impulsivos como o próprio Marte. Estão sempre com pressa… jogam as idéias (as sementes) e não têm tempo para vê-las frutificar. Por isso, deixam de recolher os frutos de seu trabalho permitindo que outros colham os “louros” de seus esforços.

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